Um dia

Um dia eu vi a noite de perto,
Como se me olhasse incerto,
Percebeu o que não tenho mais.
Aquelas lágrimas que deixei pra trás.

Eu não sou assim tão inútil
O meu pensamento não é tolo ou fútil,
Meus pés, faz tempo, sairam do chão,
Meu mundo, um deserto de emoção.

É triste esse frio que me abraça
Quero que essa noite se desfaça
Pra que eu possa vê-la sempre clara
E iludir um pouco o desejo na minha cara.

Sozinho queria saber o que fazer.
Vi você desperdiçar tudo por prazer,
Mas tenho minhas mãos atadas
E engulo à seco as esperanças culpadas.

Dissolvendo-se devagar, aquele amor
Já tão distante como um torpor,
Tirar os sonhos limpos de uma criança
Que mesmo adulta ainda dança.

Sinto falta da liberdade de pensar
Que ainda há tempo de recuperar
O brilho num olhar seguro…
Será que algum dia eu me curo?

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