A Minha Sede

A minha sede é por palavras.
É pelo impossível que está por vir.
É uma loucura que emudece,
Quando o mundo de qualquer um envelhece.

Palavras. Quais Preciso?
Todas que me são entregues
Pelas mentes e bocas tortas.
Quando o mundo de qualquer um importa.

A minha sede vai e vem
Como uma enchurrada ou um trem,
Mas a beleza em cada ver faz bem
Quando o mundo de qualquer um se tem.

Palavras, as quais preciso
São ditas bem perto a olho nú
E matam a sede que eu tenho.
Quando do mundo de qualquer um eu venho.

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Um dia

Um dia eu vi a noite de perto,
Como se me olhasse incerto,
Percebeu o que não tenho mais.
Aquelas lágrimas que deixei pra trás.

Eu não sou assim tão inútil
O meu pensamento não é tolo ou fútil,
Meus pés, faz tempo, sairam do chão,
Meu mundo, um deserto de emoção.

É triste esse frio que me abraça
Quero que essa noite se desfaça
Pra que eu possa vê-la sempre clara
E iludir um pouco o desejo na minha cara.

Sozinho queria saber o que fazer.
Vi você desperdiçar tudo por prazer,
Mas tenho minhas mãos atadas
E engulo à seco as esperanças culpadas.

Dissolvendo-se devagar, aquele amor
Já tão distante como um torpor,
Tirar os sonhos limpos de uma criança
Que mesmo adulta ainda dança.

Sinto falta da liberdade de pensar
Que ainda há tempo de recuperar
O brilho num olhar seguro…
Será que algum dia eu me curo?