Em Vão

Vastidão, ao relento e em vão,
Soturnamente descrevo-lhe o céu.
Suas cores mesclando o sabor das verdades,
Desprendendo suas virtudes,
Sufocando minhas dores.
As águas banhando de azul
O negro das pedras.
Banhando de calor
As brisas nas velas.
Os mistérios do marulhar
Tocando-me os ouvidos,
Molhando-me, ao relento e em vão.
Soturnamente descrevo-me aos céus.
Distantes, erráticos, aos hilários açoites,
Às noites cardiovasculares
Minando, massacrando a terra,
A areia da praia deserta.
Sem perceber desci da minha solidão.
Senti as pedras pontiagudas,
Amareladas, fechando-me o cerco,
Atirando-me contra a escuridão
Esverdeada dos corais celestes.
Percebi que gostaria de encerrar
Numa abóbada, o brilho de uma lágrima.
Com ela te colorir o ventre,
Amando-te ao relento e em vão.
Ter asas violetas pra te levar
Num orgasmo intenso.
Sensificando-a, vastidão uniforme,
Minguante. – Me socorra
Ao relento e em vão.

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