Arte paga ou gratuita?

Todo mundo acompanhou o caso, mesmo que de longe, do Megaupload. Aliás, caso esse bem longe de acabar. Resolvi então postar algumas citações de pessoas do mundo da arte.

“A ideia do Metallica e de outros roqueiros de ficarem ricos com sua música não deverá obrigatoriamente continuar acontecendo. Talvez porque estejamos entrando em uma nova era em que a arte será gratuita.”
“Precisamos ser claros com relação a este assunto. Há apenas poucos séculos, se tanto, que os artistas ganham dinheiro com sua arte. Artistas nunca tiveram dinheiro. Muitos tiveram patrões, como governantes, nobres a Igreja ou o papa. Ou tinham outro emprego. Eu tenho outro emprego, faço filmes, ninguém me diz o que devo fazer e ganho meu dinheiro produzindo vinho. É só ter outro emprego e acordar às 5 da manha para escrever seu script”.
“Quem disse que a arte deve custar dinheiro? Aliás, quem disse que os artistas devem ganhar dinheiro?”

Francis Ford Coppolla
Fonte: http://the99percent.com/articles/6973/Francis-Ford-Coppola-On-Risk-Money-Craft-Collaboration

“Eu acho que é uma boa ideia porque são pessoas trocando músicas. Isso não tem nada a ver com indústrias ou finanças. São apenas pessoas que querem música e não existe nada de errado com isso. É o mesmo que alguém ligar a porra de um rádio; é o mesmo que alguém colocar uma fita cassete pra gravar quando a BBC toca um especial na rádio. Eu não acho que é um crime, isso tem sido assim por anos. É o mesmo que pessoas fazerem fitas umas para as outras. A indústria está se sentindo mais ameaçada porque é a rede mundial, é uma esfera maior de troca, mas eu não acho que uma coisa horrível pra caralho como dizem. A primeira coisa que deveríamos fazer é mandar todos esses milionários desgraçados calarem suas bocas e pararem com essa boiolagem devido a 25 centavos que eles estão perdendo por segundo.”

“MÚSICA É ALGO QUE NÃO DEVERIA CUSTAR NADA, SER TOTALMENTE LIVRE.”

Dave Grohl (Foo fighters)
Fonte: http://whiplash.net/materias/news_843/146438-foofighters.html

“As mudanças na indústria da música não nos afetou adversamente, por que nós sempre tivemos uma forte relação com nossos fãs”.
“Isso afeta artistas que mantém relações apenas com suas gravadoras e dependem da venda de seus discos e não de seus fãs.”
“Os fãs também compram as mercadorias oficiais, que garantimos ter boa qualidade. Entretanto, o que não endossamos são as pessoas que lesam nossos fãs e a banda com material de péssima qualidade.”

Bruce Dickinson (Iron Maiden)

“Fazer download de músicas é o mesmo que eu costumava fazer – eu costumava gravar (do rádio) uma coleção das músicas que eu gostava. Eu não me importo.”

“Eu odeio todos esses grandes e bobos astros do rock que reclamam – pelo menos eles estão baixando sua música, seu babaca, e estão prestando atenção, você me entende?”
“Vocês deveriam apreciar isso – do que vocês estão reclamando? Vocês têm cinco mansões, então calem a boca.”

Liam Gallagher (Oasis)
Fonte: http://www.gigwise.com/news/55722/Liam-Gallagher-%27I-Don%27t-Mind-Illegal-Downloading%27

“Acho que a inocência dessa pirataria acaba de vez quando as pessoas começam a vender e têm lucro com o produto “ilegal” – aí deixa de ser uma troca entre amigos.”
“Em breve a tecnologia vai fazer as pessoas pararem de fazer download de músicas, elas vão simplesmente ouvir online. Se tudo isso estiver ali nos grandes portais, quem vai perder tempo procurando torrents?”
“Prefiro tentar me adaptar e aperfeiçoar esses novos meios do que lutar contra eles, isso seria perda de tempo.”

John Ulhoa (Pato Fu)
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/link/pessoas-nao-pagam-por-aquilo-que-e-ofert/
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Morre lentamente

Resolvi postar Pablo Neruda, poeta chileno, porque esse texto abaixo diz muita coisa pra mim e acredito, pra qualquer um.

“Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente…”

Correção: – Minha amiga Marina me mandou uma correção aqui. A verdadeira autora é uma brasileira chamada Martha Medeiros. Obrigado Marina

Madrugada sangue azul

Madrugada sangue azul
Estrelas de prata desejo desenho
Cidade desfalece calma e nua
Me imagino ao lado dela
Suas vias tato melodia
Piano sax fumaça solidão
Me clamando pra rua
Noturnos dilemas majestade
Franco silêncio criança sê-lo
Me desejo você então
Vento vasto rapto relapso
Decisões secretas santas visto
Me incauto um elo
Penetro escassa caça revisto
Devasta olhos na vidraça telúrica
Me ama eu insisto
Ramalhete púrpura cura escura
Espuma fervente intacta
Noite casta luzes vítreas
Me viva vida sede impúdica
Me seja

Alguns trechos dessa poesia acabaram sendo utilizados na música ME SEJA da banda Zorazzero e gravada no seu disco. Eu toquei por alguns anos nessa banda no período que morei em São Paulo, depois comentarei a respeito.